Dentista é alvo de ação por estudar medicina no AM e receber quase R$ 800 mil sem trabalhar em Roraima
04/03/2026
(Foto: Reprodução) Dentista Juliene Monauer Amorim era diretora no hospital de Rorainópolis
Sesau/Reprodução/Arquivo
A cirurgiã-dentista Juliene Monauer Amorim contratada pelo governo de Roraima foi processada pelo Ministério Público (MP) por suspeita de receber quase R$ 800 mil em pagamentos irregulares enquanto cursava medicina presencialmente em Manaus (AM). A ação foi protocolada nesta segunda-feira (2) pela Promotoria de Justiça de Rorainópolis.
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Segundo o MP, entre 2023 e 2024 a Juliene Monauer recebeu R$ 799.386,47 de forma indevida, por meio de fraude nos registros de frequência, remuneração e produtividade. Na ação, o órgão pede, em caráter de urgência, o bloqueio dos bens da dentista no mesmo valor, que é equivalente ao prejuízo estimado aos cofres públicos.
O g1 tenta contato com a defesa de Juliene Monauer Amorim. Também solicitou posicionamento do governo de Roraima e aguarda resposta.
Se for condenada, ela poderá perder o cargo público, ter os direitos políticos suspensos por até 12 anos, pagar multa equivalente ao valor do dano e ficar proibida de contratar com o poder público ou receber benefícios fiscais pelo mesmo período.
Vínculos em duas unidades de saúde de RR
A dentista tinha dois vínculos ativos com o governo de Roraima. Um deles em uma unidade de saúde de Boa Vista e outro como funcionária temporária no Hospital Regional Sul Governador Ottomar de Souza Pinto, em Rorainópolis, onde realizava plantões.
Juliene também foi diretora-geral do hospital, que é o maior do Sul do estado, entre setembro de 2022 e abril de 2023. O problema, segundo o MP, é que em março de 2023 ela passou a cursar medicina em uma faculdade privada em Manaus.
Para o órgão, a distância entre a capital amazonense e os municípios onde estava lotada em Roraima torna impossível a conciliação entre as aulas presenciais diárias com os plantões assumidos nas unidades de saúde. Manaus (AM) fica a 800km de Rorainópolis e a viagem dura em torno de 12h de carro.
Hospital Regional Sul Governador Ottomar de Souza Pinto, em Rorainópolis (RR).
Yara Ramalho/g1 RR/Arquivo
Durante as investigações, a profissional afirmou que cumpria os plantões e que os registros de frequência estariam no setor de Recursos Humanos. Mas, após requisição formal do MP, o próprio RH do hospital informou que ela não comparecia ao serviço.
Plantões incompatíveis
Em depoimento, a dentista disse que trabalhava apenas nos fins de semana e feriados para conciliar com os estudos. As escalas apresentadas, porém, mostravam plantões em dias úteis e em horários incompatíveis com a frequência acadêmica em Manaus.
"Há incompatibilidade evidente entre a frequência acadêmica presencial diária em Manaus e o volume de plantões declarados em Rorainópolis e Boa Vista. A situação revela impossibilidade logística e temporal de cumprimento das jornadas, com prejuízo ao erário e violação aos princípios da administração pública", afirmou a promotora de Justiça Sissy Vinholte.
Juliene Monauer Amorim foi notificada três vezes para apresentar documentos que comprovassem a regularidade, mas não apresentou nenhum.
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